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Especial Fanfiction de Natal

26/12/2010

Então, como o QSV é diferente de todo e qualquer site/blog, nosso especial de Natal começa APÓS o Natal! hahaha
Trago hoje para vocês uma One-shot versão christmas da série Underworld (com certeza vocês já viram algum dos filmes ou todos eles). Quem está familiarizado com a história certamente já imaginou como seria a rotina no Covin dos vampiros (quando não estão caçando lycans). Pensando nisso, eu convido vocês para a celebração natalina dos vamps de Underworld. Peguem suas taças e enjoy!

 

 

 

 

O episódio a seguir ocorre um ano antes dos acontecimentos do primeiro filme…

Underworld – A Christmas Special

Selene puxou a trava de segurança de sua arma e a colocou em cima de sua mesa de trabalho, que em geral era um emaranhado de pentes recheados de balas de prata, engenhosos dispositivos explosivos e cortantes e uma infinidade de facas de tamanhos e lâminas diversas. Olhando para aquilo tudo, Selene teve a impressão de que todos os seus pertences eram feitos de prata e que de fato não possuía nada que não servisse para matar.
A mansão estava agitada naquela noite. Amélia estava a caminho para celebrar o solstício e para as festividades do setingentésimo aniversário de Kraven, e Selene já podia sentir o peso das obrigações sociais oprimindo seu crânio. Ela não entendia por quê diabos Kraven continuava contando os anos, embora desconfiasse secretamente que, por ter nascido no dia vinte e cinco de dezembro, ele se achasse alguma versão gótica de Jesus Cristo, e queria que todo o coven reconhecesse essa apropriada coincidência. Selene nunca entendeu por quê Viktor o deixou no comando, especialmente em tempos como aqueles, onde nem mesmo os Mercadores da Morte eram suficientes para conter a legião de lycans que despertava a cada lua cheia.


Todas as noites, Selene saía da mansão e varria a cidade à procura de lycans, essa tinha sido sua missão durante seiscentos anos: encontrar e matar todos. A arma mais efetiva dos vampiros naquela guerra milenar atendia pelo afetuoso nome de Mercadores da Morte, do qual Selene sentia-se orgulhosa em fazer parte. Desde sua primeira década como imortal, Selene caçara ao lado dos Mercadores, foi a forma que ela arrumou de aplacar a dor com a dor, o vazio com a morte. Seis séculos depois, ela ainda sentia-se bem sendo a responsável por boa parte da contagem dos numerosos corpos que os Mercadores queimavam todos os dias antes do amanhacer. O resultado de mais uma noite de caçada.
Não acredito que ainda está assim! – Erika adentrou o quarto como um furação. Selene a olhou por sobre o ombro e voltou-se novamente para as armas. Pegou uma nove milímetros e começou a polir o cano com uma flanela. Erika bufou e contornou a mesa, balançando na mão um cabide com um vestido preto, longo e indescentemente transparente. – Eu escolhi esse para você. Eu sabia que você ainda estaria com essas botas horrorosas. Selene, oquê é isso no seu cabelo? É sangue? – Erika pegou uma mecha do cabelo de Selene e aproximou o rosto. Torceu o nariz quando sentiu o cheiro de lycan. – Santo Deus Selene! Vá tomar um banho, você está cheirando a animal morto.
Deve ser por quê eu passei a noite matando animais enquanto você fazia as unhas. – Respondeu Selene displicentemente, recolocando a arma no coldre. Erika sempre parecia indeferente às grosserias de Selene, o quê a fazia questionar diariamente as intensões de Erika.
Ela não fazia segredo para ninguém quando o assunto era Kraven e seu iludido futuro reinado ao lado dele. Erika fantasiara essa suposta união obstinadamente nos últimos duzentos anos, e Kraven, assim como ela, nunca escondera de ninguém seu resoluto interesse em Selene. Tal interesse que Selene simplesmente ignorara nos último seis séculos.
De qualquer forma, vista esse. Amélia chegara em breve e tudo deve estar perfeito. – Disse Erika, alisando as pregas da saia do vestido e pendurando-o no armário. – Viktor iria se envergonhar se sua filha aparecesse fedendo a lycan numa celebração tão importante e tradicional como essa. – Ao ouvir o nome de Viktor, Selene se virou e encarou Erika.
– Meu pai está morto e Viktor está hibernando, deixe-os em paz onde estão, certamente estão melhores que nós, que temos que participar desses circos inúteis que Kraven organiza. Esse Coven virou um teatro desde que Viktor deixou Kraven no comando.
A inabalável máscara de contentamento de Erika oscilou por um momento, e Selene pensou que finalmente teria a briga que desejava há tanto tempo. Selene não tinha absolutamente nada contra Erika, nem tampouco se interessava pela competição idiota que ela travava pelas atenções de Kraven, mas Selene era uma guerreira, e como tal, se sentisse o inimigo espreitando-a, ela queria que ele a atacasse de uma vez. Não gostava de segundas intenções nem de palavras polidas e não queria absolutamente a falsa amizade de Erika.
Vou guardar um lugar pra você no salão. Se apresse. – Disse Erika e saiu, arrastando atrás de si o cetim escarlate de seu vestido. Selene suspirou e jogou-se no sofá. Não gostava dessas festas, que tornaram-se irritantemente numerosas desde que Kraven assumiu o comando do Coven. Ele e Amélia pareciam concordar em alguma coisa, afinal de contas. Mentalmente, Selene fez as contas, de acordo com o calendário, Marcus seria despertado no ano seguinte, e então Amélia se juntaria a Viktor na hibernação. Mais um século sem os conselhos de Viktor, mais um século tendo que aturar as ordens pouco criteriosas de Kraven. Ela esperava que, pelo menos Markus, fosse um pouco mais efetivo no combate aos lycans.
O nome de Kraven parecia ser alguma espécie de alarme, pois ao abrir os olhos, Selene surpreendeu-o olhando para ela, encarando-a sem nenhum pudor.
É uma noite de festa minha querida, deixe para descansar em meus aposentos mais tarde. – Disse Kraven aproximando-se como um gato.
Selene sentou-se, alisou os cabelos e tentou não soltar nenhum desaforo que o fizesse falar por mais vinte minutos ininterruptos.
O quê você quer? – Disse apenas.
Vim ver se minha acompanhante já esta a altura de receber Amélia e os membros do conselho. – Respondeu ele, como se aquilo fosse algo óbvio.
Kraven, eu não vou com você. Irei sozinha, participarei das celebrações e voltarei para meu quarto. Tenho consertos para fazer em minhas armas. – Kraven torceu o nariz daquela forma que Selene já observara incontáveis vezes e sentou-se ao lado dela, tentando esconder a frustração.
Selene, Selene… A eternidade é muito longa para se passar sozinha sabe. Não pode viver sua vida presa nessa vingança sem
Pare. – Grunhiu Selene. – Não comece com isso de novo.
Eu me preocupo com você. Eu me importo com você. – Disse ele, alisando as palavras.
Preocupe-se mais com o Coven e com as missões idiotas em que você está desperdiçando o tempo e os recursos dos Mercadores da morte. – Felizmente, a paciência de Kraven era tão curta quanto as saias de Erika, e mesmo tratando-se de Selene, ele não conseguia ser tão paciente a ponto de ouvir os desaforos dela por muito tempo.
Você me enlouquece Selene. – Disse ele, levantando-se do sofá num rompante. – Você não entende que o que faço é para manter todos seguros? Especialmente você Selene.
Sabe como ficaremos seguros? Quando conseguirmos extinguir todos os lycans, quando não sobrar um maldito para ver a lua. Mas nós não conseguiremos isso se não caçarmos eles Kraven. Missões inúteis como as que você tem nos mandado, isso sim é algo que eu gostaria de discutir com você.
Quando vai entender que você é a única com quem me importo? – Disse Kraven, ignorando completamente as implicações de Selene. Ela cerrou os punhos com força, sentia vontade de socá-lo.
Senhor. – Chamou Soren da porta. Aquele era outro que Selene não conseguia engolir. Soren era o homem de confiança de Kraven, aquele que, constantemente, era mandado para as missões que cabiam aos Mercadores.
Diga. – Respondeu Kraven.
Os membros do conselho chegaram. – Disse Soren.
Kraven olhou-a por mais alguns segundos antes de se virar para a porta.
Vista-se adequadamente Selene. Não me faça ter que vir buscá-la aqui novamente. – Disse, e se afastou, batendo as portas atrás de si.
Selene se demorou mais um minuto na janela antes de ir para o banho. A chuva lá fora havia aumentado e agora martelava nos telhados. Ela observou Kahn, líder dos Mercadores e seu melhor amigo, se esgueirar pela chuva e cochichar algumas instruções para a segurança dos portões.
Quando terminou de se vestir, Selene já ouvia a música subindo pelas escadas diretamente do salão de festas. O cheiro de cigarros e sangue se espalhava numa nuvem pelos corredores. Quando desceu, vestindo um simples espartilho de couro e uma saia longa e solta nos quadris, Selene observou a fileira de cadeiras onde os membros do conselho tagarelavam alegremente uns com os outros. Kraven e Amélia sentavam-se lado a lado e participavam da conversa, descontraídos, cada qual segurando uma taça de sangue sintético, a principal fonte de renda do Coven, produto principal das empresas Zyontex, que produziam e distribuíam sangue clonado para toda Europa, e bem… alimentava e abastecia todo o Coven.
Selene, já estava me perguntando por onde você andava. Pensei que estivesse em algum buraco por aí caçando lycans. – Disse Amélia, arreganhando uma fileira de dentes que sempre a fazia se parecer com um cavalo.
Eu provavelmente estaria fazendo algo muito mais proveitoso. – Disse Selene. Kraven pegou em seu braço e a trouxe para junto dele. Com um sorriso desconcertado, disse:
Selene é uma de nossas melhores caçadoras, mas até ela merece uma folga não é? – Amélia devolveu o sorriso pouco convincente e rapidamente se entreteve em outros assuntos.
Kraven pegou uma taça de sangue e a colocou nas mãos de Selene. Ela sentou-se ao lado dele por livre e espontânea pressão e se encostou desanimada na poltrona de veludo. O salão todo era um burburinho crescente, como um bando de vespas sobrevoando as jarras e taças de cristal, cheias até a boca de sangue. Selene bebericou sua taça, limpou os lábios com a língua, e sentiu a textura macia daquele sangue clonado, algo muito próximo do sangue humano, mas que mesmo assim, não conseguia perder totalmente aquela textura plástica e artificial. Somente nos últimos cinqüenta anos os vampiros adotaram o sangue sintético. Era mais seguro e discreto se alimentar, economicamente satisfatório e viável e evitava saídas noturnas, o quê simplificara muito o trabalho dos Mercadores.
Selene observou pelo canto do olho as mãos de Kraven subirem por seus ombros.
O quê pensa que está fazendo? – Sussurrou ela entre um gole e outro.
Não finja que não gosta quando eu te toco. Você pode até me odiar, mas não é inteiramente inconsciente a mim. – Murmurou ele, se inclinando para perto.
Selene se levantou abruptamente e ao sair da roda, passou por Erika, sentada a duas cadeiras de distância. O rosto dela era uma máscara fria do que parecia ser o mais puro e irracional ódio.
Selene atravessou o salão e avistou o sobretudo longo de Kahn entre os ternos cafona de veludo que se amontoavam ao redor das mesas.
Conseguiu fugir de Kraven? Você provavelmente pode lutar contra um exército de lycans agora. – Disse Kahn, servindo sua taça generosamente.
É quase uma boa idéia não voltar para casa ao amanhecer. Preciso me mudar para algum centro de observação ou algo do tipo, bem longe daqui. – Respondeu ela.
E ficar longe de Viktor? – Selene não respondeu. Kahn a conhecia bem, sabia que a única coisa que a segurava naquele Coven era Viktor e que ela nutria desconfianças de Kraven, não confiava nele para guardar o corpo adormecido de Viktor.
Esqueça isso. – Disse Kahn, estendendo-lhe uma taça. – É noite de natal e você sabe o que os humanos dizem nessa ocasião.
Os humanos não têm que lutar com monstros todos os dias pelo resto da eternidade. – Respondeu Selene, taciturna.

Então já que temos a eternidade para lutar, não tem por quê se preocupar em perder uma noite. – Kahn olhou-a de esguelha, Selene o viu sorrindo, os dentes brancos contrastando na pele escura, azeitonada. Selene assentiu, e retribuiu com um pequeno sorriso desajeitado.
Olhe, Amélia vai fazer as honras. – Disse Kahn gesticulando para Amélia, que se levantava, arrastando atrás de si uma legião de servos que a circundavam como formigas.
Amélia parou no centro do grande salão retangular, as luzes dos candelabros criando sombras nos cantos, o murmúrio baixou e gradualmente emudeceu. Amélia falou:
Meus irmãos, estamos vendo mais um soltício, estamos vendo mais um ciclo se completando. No próximo ano, Markus dará início a seu reinado e tradicionalmente, aqui estamos nós para celebrar meu último solstício antes de me recolher pelo próximo século. Vamos brindar pelo reinado de Markus que se iniciará no próximo ano e pelo meu, que chega ao fim. Mais um século. – Amélia levantou sua taça, e por todo o salão, braços levantaram-se, erguendo suas taças com a dela.
Selene percebeu antes de qualquer outro, talvez por quê estivesse encarando as escadas, pensando se chegaria até lá sem ser vista. Soren e seus homens se dirigiram furtivamente até Kraven e após algumas palavras, Selene viu Kraven empalidecer.
Kahn. – Ela o cutucou. – Alguma coisa está acontecendo. – Disse, gesticulando discretamente para Soren e seus homens. Kahn lhe dirigiu um olhar que dizia; “logo hoje?” Mas Selene podia ver que ele entendera a mensagem.
Vou reunir os Mercadores. – Disse Kahn, virando sua taça de uma vez.
Vou pegar minhas armas. – Ela falou
Selene. – Disse Kahn. – Livre-se dessa saia, isso não combina com você.
Selene sorriu e meteu-se no meio da multidão de taças erguidas. Enquanto subia as escadas até seu quarto, ouviu as vozes no salão desejando a Kraven felicitações por seus setecentos anos de bravura e lealdade ao Coven. Selene teve a súbita impressão de que aquele seria seu último. “É, feliz natal pequeno Jesus, maldito Judas.

FIM

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