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Recapitulando TOP 2 – A Revelação

18/11/2009

“Algo frio tocou minha testa com a mais suave pressão. Fechei meus olhos ainda mais apertados. Pelo visto eu ainda estava sonhando, e parecia anormalmente real. Estava tão perto de acordar… a qualquer segundo, e ele iria embora.

Mas percebi que parecia real demais, real demais para ser bom para mim. Os braços de pedra que imaginei me envolvendo eram substanciais demais. Se deixasse aquilo ir adiante me arrependeria mais tarde. Com um suspiro resignado, abri minhas pálpebras para dispersar a ilusão.

– Oh! – disse ofegante, e cobri os olhos com os punhos. Bem, estava claro que eu tinha ido longe demais; talvez tivesse sido um erro ter deixado minha imaginação tão fora de controle.

Tudo bem, então “deixar” era a palavra errada. Eu a obrigara a sair de controle – na verdade perseguira minhas alucinações – e agora minha mente tinha pifado.

Levei menos de um segundo para perceber que, como estava verdadeiramente louca, podia muito bem desfrutar das ilusões enquanto elas fossem agradáveis.

Abei os olhos de novo – e Edward ainda estava ali, seu rosto perfeito a centímetros do meu.

– Eu a assustei? – Sua voz baixa era ansiosa. Isso era muito bom, as ilusões continuavam. O rosto, a voz, o aroma, tudo – muito melhor do que me afogar. A linda invenção de minha imaginação observava alarmada a mudança de minhas expressões. Suas íris eram negras, no alto de sombras feito hematomas. Isso me surpreendeu; meus Edwards alucinatórios em geral estavam mais bem alimentados.

Pisquei duas vezes, tentando com desespero me lembrar da última coisa que tinha certeza de que era real. Alice fazia parte de meu sonho, e me perguntei se ela havia realmente voltado ou se era só o preâmbulo. Pensei que ela tivesse voltado no dia em que quase me afoguei…

– Ah, droga – grasnei. Minha garganta estava áspera com o sono.

– Qual é o problema, Bella?

Franzi infeliz o cenho para ele. Seu rosto ficou ainda mais ansioso do que antes.

– Morri, não é? – gemi. – Eu me afoguei. Droga, droga, droga! Isso vai matar Charlie.

Edward franziu o cenho também.

– Você não está morta.

– Então por que não estou acordando? – desafiei, erguendo as sobrancelhas.

– Você está acordada, Bella.

Sacudi a cabeça.

– Ah, sim, claro. É o que você quer que eu pense. E depois vai ser pior quando eu acordar. Se eu acordar, o que não vai acontecer, porque estou morta. Isso é péssimo. Coitado de Charlie. E Renée e Jake… – Eu me interrompi apavorada com o que tinha feito.

– Entendo que possa me confundir com um pesadelo. – Seu sorriso curto era soturno. – Mas não imagino o que pode ter feito para parar no inferno. Você cometeu muitos assassinatos enquanto estive fora?

Fiz uma careta.

– É claro que não. Se eu estivesse no inferno, você não estaria comigo.

Ele suspirou.

Minha cabeça estava clareando. Meus olhos se desviaram do rosto dele – de má vontade – por um segundo, para a janela aberta e escura, e depois de volta para ele. Comecei a me lembrar dos detalhes… E senti um rubor leve e estranho na pele, no alto das bochechas, enquanto percebia devagar que Edward estava realmente, de verdade, ali comigo, e eu estava desperdiçando tempo sendo uma idiota.”

“Ele roçou a ponta do dedo frio em meu lábio inferior.

– Bella, parece que você é vítima de um mal-entendido. – Ele fechou os olhos, sacudindo a cabeça com um meio sorriso no lindo rosto. Não era um sorriso feliz. – Pensei que já tivesse explicado com clareza. Bella, não posso viver num mundo onde você não exista.

– Eu estou… – Minha cabeça girou enquanto eu procurava pela palavra adequada. – confusa. – Essa estava boa. Não conseguia encontrar sentido no que ele dizia.

Ele olhou no fundo de meus olhos; o olhar sincero e franco.

– Eu minto muito bem, Bella, tenho de ser assim. Fiquei paralisada, meus músculos se contraindo como se recebessem um impacto. O rasgo em meu peito se abriu; a dor me tirou o fôlego.

Ele sacudiu meu ombro, tentando me fazer relaxar.

– Deixe-me terminar! Eu minto bem, mas, ainda assim, você acredita em mim com muita rapidez. – Ele estremeceu. – Foi…doloroso.

Esperei, ainda paralisada.

– Quando estávamos na floresta, quando eu lhe disse adeus…

Não permiti a mim mesma a lembrança. Lutei para me manter só no momento presente.

– Você não ia aceitar – sussurrou ele. – Eu sabia. Não queria fazer aquilo… Parecia que fazer aquilo ia me matar… Mas eu sabia que se não conseguisse convencê-la de que não a amava mais você levaria muito mais tempo para seguir com sua vida. Esperava que se você pensasse que eu estava em outra, também partiria para outra.”

“- Pude ver isso em seus olhos, que você sinceramente acreditou que eu não a queria mais. A idéia mais absurda e mais ridícula… Como se houvesse algum modo de eu existir sem precisar de você!

– Eu sabia – falei entre soluços. – Sabia que estava sonhando.

– Você é impossível – disse ele, e riu uma vez. Um riso severo e frustrado. – Como posso explicar de modo que acredite em mim?

Você não está dormindo e não está morta. Estou aqui e eu amo você. Sempre amei você e sempre amarei. Fiquei pensando em você, vendo seu rosto em minha mente, durante cada segundo que me ausentei. Quando lhe disse que não a queria, foi o tipo mais atroz de blasfêmia.”

“- Não acredita em mim, não é? – sussurrou ele, o rosto mais pálido do que o normal; pude ver isso mesmo na luz fraca. – Por que pode acreditar na mentira, mas não na verdade?

– Me amar nunca fez sentido para você – expliquei, minha voz falhou duas vezes. – Sempre soube disso.

Os olhos dele se estreitaram, o maxilar se contraiu.

– Vou provar que está acordada – prometeu ele.

Ele pegou meu rosto com firmeza entre as mãos de ferro, ignorando meu esforço quando tentei desviar a cabeça.

– Não, por favor – sussurrei.

Ele parou, os lábios a um centímetro dos meus.

– Por que não? – perguntou. O hálito soprou em meu rosto, fazendo minha cabeça girar.

– Quando eu acordar… – Ele abriu a boca para protestar, então me corrigi. – Tudo bem, esqueça isso… Quando você partir de novo, já será bem difícil sem isso.

Ele me afastou um pouco para ver meu rosto.

– Ontem, quando eu ia tocar em você, você estava tão… hesitante, tão cautelosa, e no entanto ainda está assim agora. Eu preciso saber por quê. É porque cheguei tarde demais? Porque a magoei muito? Porque você deixou mesmo tudo para trás, como dei a entender que fizesse? Isso seria… muito justo. Não vou contestar sua decisão. Então não tente poupar meus sentimentos, por favor… Só me diga agora se você ainda pode me amar ou não, depois de tudo o que a fiz passar. Pode? – sussurrou ele.

– Que tipo de pergunta idiota é essa?

– Só responda. Por favor.

Eu o fitei sombriamente por um longo tempo.

– O que sinto por você jamais vai mudar. É claro que amo você… E não há nada que você possa fazer com relação a isso!

– Era tudo o que eu precisava ouvir.

Depois disso, sua boca estava na minha, e não pude lutar contra ele. Não porque ele fosse muitas milhares de vezes mais forte que eu, mas porque minha vontade virou pó no segundo em que nossos lábios se encontraram.”

“- Antes de você, Bella, minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas havia estrelas… Pontos de luz e razão… E depois você atravessou meu céu como um meteoro. De repente tudo estava em chamas; havia brilho, havia beleza. Quando você se foi, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou negro. Nada mudou, mas meus olhos ficaram cegos pela luz. Não pude mais ver as estrelas. E não havia mais razão para nada.”

“Virei o rosto para ele e apertei meus lábios na pele fria de pedra de seu pescoço.

– Obrigado – disse ele, enquanto formas escuras e vagas de árvores disparavam por nós. – Isso significa que você concluiu que está acordada?

Eu ri. O som era relaxado, natural, espontâneo. Soou como deveria.

– Para ser bem sincera, não. É que na verdade, seja como for, não estou tentando acordar. Não esta noite.

– Vou de algum jeito recuperar sua confiança – murmurou ele, mais para si mesmo. – Nem que seja meu último ato.

– Eu confio em você – garanti. – É em mim que não confio.

– Explique, por favor.”

“- Você ainda não me disse… – murmurou ele.

– O quê?

– Qual é seu maior problema.

– Vou deixar que você adivinhe. – Eu suspirei e toquei a ponta de seu nariz com o indicador.

Ele assentiu.

– Sou pior do que os Volturi – disse ele sombriamente. – Acho que mereci isso.

Revirei os olhos.

– O pior que os Volturi podem fazer é me matar. Ele esperou com os olhos tensos.

– Você pode me deixar – expliquei. – Os Volturi, Victoria… Eles nada são comparados a isso.”

“- Eu acho – disse devagar – não tenho certeza, mas imagino… acho que talvez eu soubesse disso o tempo todo.

– Soubesse do quê?

Eu só queria tirar a agonia de seus olhos, mas as palavras, ao serem pronunciadas, pareciam mais verdadeiras do que eu esperava.

– Parte de mim, talvez meu subconsciente, nunca deixou de acreditar que você ainda se importava se eu estava viva ou morta. Deve ter sido por isso que fiquei ouvindo vozes.

Houve um silêncio profundo por um momento.

– Vozes? – perguntou ele num tom monótono.

– Bom, só uma voz. A sua. É uma longa história.- A preocupação em seu rosto me fez desejar não ter levantado esse assunto. Será que ele, como todos os outros, pensaria que eu estava louca? Será que todo mundo estava certo sobre isso? Mas pelo menos naquela expressão, que dava a entender que algo ardia dentro dele, desapareceu.

– Eu tenho tempo. – Sua voz era artificialmente tranqüila.

– É bem ridículo.

Ele esperou.

Eu não sabia bem como explicar.

– Lembra o que Alice disse sobre esportes radicais?

Ele falou as palavras sem inflexão nem ênfase.

– Você pulou de um penhasco para se divertir.

– Hã, isso mesmo. E, antes disso, com a moto…

– Moto? – perguntou ele.

Eu conhecia sua voz muito bem para ouvir algo borbulhando por trás da calma.

– Acho que não contei essa parte a Alice.

– Não.

– Bom, sobre isso… Olhe, descobri que… quando fazia algo perigoso ou idiota… conseguia me lembrar de você com mais clareza – confessei, sentindo-me completamente retardada. – Conseguia me lembrar de como era sua voz quando você estava com raiva. Podia ouvi-la, como se você estivesse bem ali ao meu lado. Na maior parte do tempo eu tentava não pensar em você, mas desse jeito não doía tanto… Era como se você estivesse me protegendo de novo. Como se não quisesse que eu me machucasse. E, bom, imagino se o motivo para ouvi-lo com tanta clareza não era porque, lá no fundo, eu

sempre soube que você não tinha deixado de me amar.

Outra vez, enquanto eu falava, as palavras eram carregadas de convicção. De exatidão. Algum lugar no fundo de mim reconhecia a verdade.

As palavras dele saíram quase estranguladas.

– Você… estava… arriscando sua vida… para ouvir…

– Shhh – eu o interrompi. – Espere um segundo. Acho que estou tendo uma revelação agora.

Pensei naquela noite em Port Angeles, quando tive minha primeira ilusão. Eu pensara em duas opções: insanidade ou satisfação de um desejo. Não vi uma terceira opção.

Mas e se…

E se você sinceramente acreditasse que uma coisa era verdadeira, mas estivesse cem por cento enganada? E se você estivesse tão obstinadamente certa de que tinha razão que nem considerasse a verdade? A verdade seria silenciada ou tentaria irromper?

Opção três: Edward me amava. O vínculo forjado entre nós não era do tipo que podia ser quebrado com a ausência, a distância ou o tempo. E por mais especial, lindo, inteligente ou perfeito que ele pudesse ser, estava tão irreversivelmente transformado como eu. Assim como eu sempre pertenceria a ele, ele sempre seria meu. Era isso o que eu estivera tentando dizer a mim mesma?

– Ah!

– Bella?

– Ah! Tudo bem. Entendi.

– Sua revelação? – perguntou ele, a voz agitada e tensa.

– Você me ama – disse admirada. A convicção e a correção me inundaram de novo.

Embora seus olhos ainda estivessem angustiados, o sorriso torto que eu amava cintilou em seu rosto.

– Sinceramente, amo.

Meu coração inflou como se fosse estourar por minhas costelas. Ocupava meu peito e bloqueava minha garganta, e assim não consegui falar.

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One Comment leave one →
  1. gabyee permalink
    19/11/2009 09:45

    o meu coração tbm inflou como se fosse estourar por minhas costelas ao ler isso
    oooooH Deus
    ;~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
    me diz qe eu não sou doida por estar chorando
    pleeaaasee

    :C :***

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