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Recapitulando – TOP 5: O Penhasco e A Visitante

15/11/2009

“Não foi difícil convencer a mim mesma de que não tinha tempo para procurar outro caminho – eu queria pular do topo. Essa era a imagem que se fixara em minha mente. Eu queria a longa queda que me daria a sensação de voar.”

Sabia que aquela era a atitude mais idiota e mais imprudente que já tomara. Pensar nisso me fez sorrir. A dor já estava cedendo, como se meu corpo soubesse que a voz de Edward estava a apenas segundos de mim…

O mar parecia muito distante, de certo modo mais distante do que antes, quando estava no caminho, entre as árvores. Fiz uma careta quando pensei na possível temperatura da água. Mas não ia deixar que isso me impedisse. O vento agora soprava com mais força, chicoteando a chuva em redemoinhos ao meu redor.

Dei um passo para a beirada, sem tirar os olhos do espaço vazio à frente. Os dedos de meus pés já tateavam às cegas, acariciando a beira da pedra quando a encontraram. Respirei fundo e prendi o ar… Esperando.”

“Bella.”

“Eu sorri e soltei a respiração.

Sim? Não respondi em voz alta, por medo de que minha voz dispersasse a bela ilusão. Ele parecia tão real, tão próximo. Só quando me reprovava desse jeito eu podia ouvir a verdadeira lembrança de sua voz – a textura aveludada e a entonação musical que compunha a mais perfeita das vozes.

“Não faça isso”, pediu ele.

Você quis que eu fosse humana, lembrei a ele. Bem, assista.

“Por favor. Por mim.”

Mas você não vai ficar comigo de nenhuma outra maneira.

“Por favor.” Era só um sussurro na pancada de chuva que agitou meu cabelo e ensopou minhas roupas – deixando-me tão molhada que era como meu segundo salto do dia. Fiquei na ponta dos pés.

“Não, Bella!” Ele agora estava com raiva, e isso era adorável. Sorri e levantei os braços, como se fosse mergulhar, erguendo o rosto para a chuva. Mas aquilo estava arraigado demais dos anos de natação na piscina pública – primeiro o pé, primeira vez. Inclinei-me para a frente, agachando-me para tomar mais impulso.

E me atirei do penhasco.

“Gritei ao cair pelo espaço aberto como um meteoro, mas foi um grito de alegria, não de medo. O vento impunha resistência, tentando em vão lutar com a gravidade indomável, empurrando-me e me fazendo girar em espiral como um foguete atingindo a terra.

Sim! A palavra ecoou em minha cabeça enquanto eu cortava a superfície da água. Era gelada, mais fria do que eu temia, e, no entanto, o frio só aumentou meu prazer.

Estava orgulhosa de mim à medida que mergulhava mais fundo na água escura e congelante. Não senti nem um segundo de pavor – só pura adrenalina. Na verdade, a queda não fora nada assustadora. Onde estava o desafio?

Foi então que a correnteza me pegou.

Fiquei tão preocupada com a altura dos penhascos, com o perigo evidente de suas faces elevadas e escarpadas, que nem pensei na água escura que me aguardava. Nunca imaginei que a verdadeira ameaça estivesse espreitando muito abaixo de mim, sob as ondas que se erguiam.

Parecia que as ondas lutavam comigo, lançando-me de um lado para outro como se estivessem decididas a me dividir, cortando-me pelo meio. Eu sabia a maneira certa de evitar uma corrente marinha: nadar paralelamente à praia em vez de lutar para chegar à margem. Mas o conhecimento de pouco me valeu, já que não sabia para que lado estava a praia.”

“Eu nem sabia dizer para que lado estava a superfície. A água furiosa era negra em todas as direções; não havia qualquer claridade que me orientasse para cima. A gravidade era onipotente quando competia com o ar, mas não significava nada nas ondas – eu não sentia um empuxo para baixo, não afundava em nenhuma direção. Só sentia o bater da corrente que me arremessava em círculos, feito uma boneca de trapos. Lutei para manter presa a respiração, para manter meus lábios

fechados em torno de minha última reserva de oxigênio. Não me surpreendeu que minha ilusão de Edward estivesse ali. Ele me devia muito, considerando que eu estava morrendo. Fiquei surpresa por estar tão certa disso. Ia me afogar. Estava me afogando.

“Continue nadando!”, implorou Edward com urgência em minha cabeça.

Para onde? Não havia nada a não ser a escuridão. Não havia para onde nadar.

“Pare com isso!”, ordenou ele. “Não se atreva a desistir!”

O frio da água entorpecia meus braços e minhas pernas. Eu não sentia o açoite tanto quanto antes. Agora era mais uma vertigem, um giro desamparado na água.

Mas eu o ouvi. Obriguei meus braços a continuarem estendidos, minhas pernas a baterem com mais força, embora a cada segundo eu tomasse um rumo diferente. Aquilo não devia estar adiantando nada. Que sentido tinha?

“Lute!”, gritou ele. “Que droga, Bella, continue lutando.”

Por quê?

Não queria mais lutar. E não era a vertigem, nem o frio, nem o fracasso dos braços à medida que os músculos desistiam de exaustão que me deixava contente por ficar onde estava. Eu estava quase feliz por aquilo ter acabado. Era uma morte mais fácil do que as outras que enfrentei. Estranhamente em paz.

Pensei por pouco tempo nos clichês, sobre como você devia ver sua vida passar diante dos olhos. Eu tinha muito mais sorte.

Quem afinal queria ver uma reprise?

Foi ele que eu vi, e não tive vontade de lutar. Era muito claro, muito mais definido do que qualquer lembrança. Meu subconsciente guardara Edward em detalhes impecáveis, poupando-o para este último momento. Pude ver seu rosto perfeito como se ele estivesse mesmo ali; o tom exato de sua pele gélida, o formato de seus lábios, a linha de seu queixo, o cintilar dourado de seus olhos furiosos. Ele

estava com raiva, naturalmente, por eu desistir. Seus dentes estavam

trincados e as narinas infladas de cólera.

“Não! Bella, não!”

Minhas orelhas foram inundadas de água gélida, mas a voz dele era mais clara do que nunca. Ignorei as palavras e me concentrei no som de sua voz. Por que eu lutaria se estava tão feliz ali? Mesmo enquanto meus pulmões ardiam, querendo mais ar, e minhas pernas doíam do frio gelado, eu estava contente. Tinha me esquecido de como era verdadeira felicidade.

Felicidade. Isso tornava toda a história de morrer bastante suportável.

A correnteza venceu nesse momento, lançando-me repentinamente contra algo rígido,uma rocha invisível no escuro.

Atingiu-me com força no peito, golpeando-me como uma barra de ferro, e o ar fugiu de meus pulmões, escapando numa nuvem espessa de bolhas prateadas. A água inundou minha garganta, sufocando e queimando. A barra de ferro pareceu me arrastar, puxando-me para longe de Edward, mais fundo nas sombras, para o fundo do mar.

Adeus, eu te amo, foi meu último pensamento.”

[…]

“- Respire! – ordenou uma voz, louca de ansiedade, e senti uma pontada cruel de dor quando a reconheci, porque não era a de Edward.”

[…]

“- Respire, Bella! Vamos! – pediu Jacob. Pontos pretos floresceram em minha visão, aumentando cada vez mais, obstruindo a luz.”

[…]

“- OH! – A respiração escapou de Jacob como se alguém tivesse socado seu estômago. – Mas que droga!

Ele bateu a porta e girou a chave na ignição no mesmo instante. As mãos tremiam tanto que não sei como ele conseguiu.

– Que foi?

Ele acelerou demais o motor; o carro engasgou e morreu.

– Vampiro – ele soltou.”

[…]

“- Pare! – disse ofegante.

Era um carro preto – um carro que eu conhecia. Eu podia não entender nada de automóveis, mas conhecia tudo daquele carro em particular. Era um Mercedes S55 AMG. Eu sabia a potência e a cor de seu interior. Sabia a sensação do motor poderoso roncando no chassi. Conhecia o cheiro penetrante dos bancos de couro e sabia como os vidros muito escuros faziam o meio-dia parecer o crepúsculo através daquelas janelas. Era o carro de Carlisle.”

[…]

“A luz se acendeu, embora minha mão paralisada ainda não tivesse encontrado o interruptor. Pestanejei na claridade repentina e vi que havia alguém ali, esperando por mim.

Imóvel e branca de uma forma que não era natural, com os grandes olhos escuros atentos em meu rosto, minha visitante esperava completamente parada no meio do corredor, linda além da imaginação.

Meus joelhos tremeram por um segundo e eu quase caí. Depois me atirei para ela.

– Alice, ah, Alice! – gritei, enquanto me jogava.”

[…]

“- Eu disse a ele que isso ia acontecer, mas ele não acreditou em mim. “A Bella prometeu.” – A imitação era tão perfeita que fiquei paralisada de choque enquanto a dor rasgava meu peito. – “Não fique olhando o futuro dela também.” – Ela continuou a citá-lo. – “Já causamos muitos danos.” Mas não estar olhando não quer dizer que eu não veja – continuou ela. – Eu não a estava vigiando, eu juro,

Bella. Mas já estou sintonizada em você… Quando a vi pular, nem pensei, só peguei um avião. Sabia que chegaria tarde demais, mas não podia não fazer nada. Então cheguei aqui, pensando que talvez pudesse ajudar Charlie de alguma maneira, e você apareceu de carro. Ela sacudiu a cabeça, desta vez confusa. Sua voz era tensa.

– Eu a vi entrar na água e esperei que saísse, mas isso não aconteceu. O que houve? E como você pôde fazer isso com Charlie? Não pára para pensar no que causaria a ele? E a meu irmão? Você tem alguma idéia do que Edward…

Então a interrompi, assim que disse o nome dele. Eu a deixaria continuar, mesmo depois de ter percebido que ela estava entendendo errado, só para ouvir o perfeito tom de sino de sua voz. Mas era hora de interromper.

– Alice, eu não estava tentando me suicidar.”

[…]

“Eu o fitava. Ele não era o meu Jacob, mas podia ser. Seu rosto era familiar e adorado. De muitas maneiras verdadeiras, eu o amava. Ele era meu conforto, meu porto seguro. Naquele exato momento, eu preferia que ele me pertencesse.

Alice havia voltado por um tempo, mas isso não mudara nada. O verdadeiro amor estava perdido para sempre. O príncipe nunca voltaria para me despertar de meu sono encantado com um beijo. Eu não era uma princesa, afinal. Então, o que dizia o protocolo dos contos de fadas sobre outros beijos? Do tipo comum, que não quebra feitiços?”

[…]

“Alice estava imóvel ao pé da escada.

– Bella – engasgou-se.

Levantei-me vacilante e corri para o lado dela. Seus olhos eram aturdidos e distantes, a face contorcida e mais branca do que osso. Seu corpo magro tremia com um turbilhão íntimo.

– Alice, qual é o problema? – gritei. Coloquei as mãos em seu rosto, tentando acalmá-la.

Seus olhos focalizaram os meus abruptamente, arregalados de dor.

– Edward – foi só o que ela sussurrou.”

[…]

“Eu estava no sofá sem entender como conseguira chegar lá e Jacob ainda xingava. Parecia que havia um terremoto – o sofá tremia debaixo de mim.

– O que você fez com ela? – perguntou ele.

Alice o ignorou.

– Bella? Bella, pare com isso. Precisamos correr.

– Fique longe daqui – alertou Jacob.

– Calma, Jacob Black – ordenou Alice. – Não vai querer fazer isso tão perto dela.

– Não acho que terei problemas para manter o foco – retorquiu ele, mas sua voz parecia um pouco mais fria.

– Alice? – minha voz era fraca. – O que houve? – perguntei, embora não quisesse ouvir.

– Não sei – gemeu ela de repente. – O que ele está pensando?!”

[…]

“- Alice – eu disse logo. Ainda não podia deixá-la falar. Eu precisava de mais alguns segundos antes que ela falasse e suas palavras destruíssem o que restava de minha vida. – Alice, Carlisle voltou. Ele ligou antes…

Ela me olhou, confusa.

– Há quanto tempo? – perguntou numa voz seca.

– Meio minuto antes de você aparecer.

– O que ele disse? – Ela agora estava concentrada, esperando por minha resposta.”

[…]

“- Eu não falei com ele. – Meus olhos voltaram-se para Jacob. Alice virou seu olhar penetrante para ele. Ele se encolheu, mas sustentou sua posição a meu lado, Jacob se sentou, desajeitado, quase como se estivesse tentando me proteger com o corpo.

– Ele perguntou por Charlie e eu disse que Charlie não estava aqui – murmurou Jacob, com ressentimento.

– Só isso? – perguntou Alice, a voz como gelo.

– Depois ele desligou na minha cara – cuspiu Jacob. Um tremor desceu por sua coluna, fazendo-me tremer com ele.

– Você disse que Charlie estava no enterro – lembrei a ele. Alice virou a cabeça rapidamente para mim.

– Quais foram suas palavras exatas?

– Ele disse: “Ele não está”, e quando Carlisle perguntou onde Charlie estava, Jacob respondeu: “No enterro.”

Alice gemeu e caiu de joelhos.

– Me diga, Alice – sussurrei.

– Não era Carlisle no telefone – disse ela de um jeito desamparado.

– Está me chamando de mentiroso? – rosnou Jacob ao meu lado.

Alice o ignorou, concentrando-se em meu rosto perplexo.

– Era Edward. – As palavras eram só um sussurro sufocado. – Ele acha que você está morta.

Minha cabeça começou a funcionar de novo. As palavras não eram as que eu temia e o alívio clareou minha mente.”

[…]

“- Ele foi para a Itália.

Levei uma batida do coração para entender. Quando a voz de Edward me voltou agora, não era a imitação perfeita de minhas ilusões. Era só o tom fraco e apático de minhas lembranças. Mas as palavras, sozinhas, foram suficientes para despedaçar meu peito e deixar o buraco aberto. Palavras de uma época em que eu teria apostado tudo o que tivesse ou conseguisse no fato de que ele me amava.

Bem, eu não ia viver sem você, dissera ele enquanto víamos Romeu e Julieta morrendo, aqui, nesta mesma sala. Mas não tinha certeza de como fazer… Eu sabia que Emmett e Jasper não me ajudariam… Então pensei em talvez ir à Itália e fazer algo para provocar os Volturi… Não se deve irritar os Volturi. A não ser que

se queira morrer… A não ser que se queira morrer.” ”

[…]

“- Você antes disse que tínhamos que correr. Correr como? Vamos fazer logo, seja lá o que for!

– Bella, eu… eu não acho que possa pedir a você para… – Ela parou de falar, indecisa.

– Peça! – exigi.

Ela pôs as mãos em meus ombros, segurando-me, os dedos flexionando-se a intervalos para destacar suas palavras.

– Pode ser tarde demais para nós. Eu o vi indo aos Volturi… e pedindo para morrer. – Nós duas nos encolhemos, e meus olhos de repente ficaram cegos. Pisquei febrilmente para as lágrimas.”

[…]

“Alice virou-se para o carro, desaparecendo em sua pressa. Eu corri atrás dela, parando automaticamente para me virar e olhar a porta.

Jacob pegou meu braço com a mão trêmula.

– Por favor, Bella. Estou pedindo.

Seus olhos escuros cintilavam de lágrimas. Um nó tomou minha garganta.

– Jake, eu tenho que…

– Não tem, não. Não tem mesmo. Pode ficar aqui comigo. Pode ficar viva. Por Charlie. Por mim.

O motor do Mercedes de Carlisle ronronava; o ritmo aumentou quando Alice o acelerou com impaciência.

Sacudi a cabeça, as lágrimas caindo de meus olhos com o movimento súbito. Soltei meu braço e ele não me impediu.

– Não morra, Bella – ele disse, engasgado. – Não vá. Não. E se eu nunca mais o visse?”

 

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5 Comentários leave one →
  1. maynara permalink
    15/11/2009 19:20

    MEUUUUUUUUU AMO ESSE FILM E É SUPER DE MAIS ….
    É UNS DOS MELHORES FILMES QUE EU JÁ VI SOBRE VAMPIRO…
    ALEM DO LIVRO QUE É MUITO BOM E EU ADORO♥
    AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
    O E ESTOU ANCIOSA PARA VER O FILME LUA NOVA UM BJ ♥

  2. gabyee_ permalink
    16/11/2009 10:28

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
    *ploft*
    morri
    =x

    :C :**

  3. Camila (Escritora) permalink
    16/11/2009 10:36

    Para ouvir e pensar no EDWARD.. eu me jogaria fácil.

  4. 16/11/2009 13:08

    Fiquei com medo dela nessa hora.

  5. Mow' permalink
    18/11/2009 22:54

    Pra ser por JAKE eu me jogaria fácil.
    xD

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