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Recapitulando – Top 07: O afastamento de Jake e o encontro com Laurent

13/11/2009

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Fora muito errado incentivar Jacob. Puro egoísmo. Não importava que eu tentasse deixar clara minha posição. Se ele tinha alguma esperança de que tudo aquilo pudesse se transformar em algo além de amizade, então eu não tinha sido muito clara. Como eu poderia explicar de modo que ele entendesse? Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém –

uma casa condenada –, eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reformas. Mas era só isso – só um cômodo pequeno. Ele merecia alguém melhor – melhor do que uma casa em ruínas com um cômodo só. Nenhum investimento dele poderia me deixar funcional outra vez. E, no entanto, apesar de tudo, eu sabia que não iria afastá-lo. Precisava muito dele, e era egoísta. Talvez pudesse deixar minha posição mais clara, assim ele poderia me abandonar. A idéia me fez tremer e Jacob apertou o braço à minha volta.

– Eu me convidaria a entrar, já que chegamos cedo – disse ele enquanto parávamos ao lado de minha picape. – Mas acho que você pode ter razão quanto à febre. Estou começando a me sentir meio…estranho.

– Vai me ligar assim que chegar em casa? – perguntei, ansiosa.

– Claro, claro. – Ele franziu o cenho, olhando a escuridão à

frente e mordendo o lábio.

– É  só que eu sei que você está muito infeliz. E talvez isso não ajude em nada, mas queria que soubesse que sempre estarei a seu lado. Não quero decepcionar você… Prometo que sempre vai poder contar comigo. Caramba, isso está muito piegas. Mas você sabe disso, não sabe? Que eu nunca, jamais vou magoar você?

– Sei, Jake. Eu sei disso. Já conto com você, provavelmente mais do que imagina.

Uma expressão estranha apareceu em seu rosto.

– Acho realmente que é melhor ir para casa agora – disse ele.

Eu saí  depressa.

– Ligue! – gritei enquanto ele arrancava.

Encostei na bancada da cozinha, minha mão a centímetros do telefone, e tentei esperar paciente. Pensei no olhar estranho de Jacob antes de ele ir embora, e meus dedos começaram a tamborilar na bancada. Eu devia ter insistido em levá-lo para casa. Fiquei olhando o relógio, vendo os minutos passarem. Dez. Quinze. Mesmo quando eu estava dirigindo, só precisava de quinze minutos, e Jacob dirigia mais rápido do que eu. Dezoito minutos.

Peguei o telefone e disquei.

Tocou sem parar. Talvez Billy estivesse dormindo. Talvez eu tivesse discado errado. Tentei de novo. No oitavo toque, quando eu estava prestes a desligar, Billy atendeu.

– Alô?  – disse ele. Sua voz estava preocupada, como se esperasse por más notícias.

– Billy, sou eu, Bella… Jake já chegou? Ele saiu daqui há uns vinte minutos.

– Ele está  aqui – disse Billy de um jeito monótono.

– Ele ia me ligar. – Fiquei meio irritada. – Estava passando mal quando foi embora e fiquei preocupada.

– Ele estava… mal demais para ligar. Não está se sentindo bem agora. – Billy parecia distante. Percebi que ele queria ficar com Jacob.

– Me avise se precisar de alguma ajuda – ofereci. – Posso ir até aí. – Pensei em Billy, preso em sua cadeira, e Jake tendo de se virar sozinho…

– Não, não  – disse Billy com pressa. – Estamos bem. Fique em casa.

[…]

– O que eu posso fazer, Jake? O que posso levar para você?

– Nada. Não pode vir aqui. – Ele foi rude. Lembrou-me de Billy na outra noite.

– Eu já  fui exposta ao que você pegou – observei. Ele me ignorou.

– Vou ligar para você quando puder. Aviso quando puder vir aqui.

– Jacob…

[…]

Olhei a tela do computador e me perguntei o motivo exato pelo qual eu estava fazendo aquilo. Por que eu estava… tão desconfiada, como se não acreditasse na história de Billy? Por que Billy mentiria para Harry? Provavelmente, estava sendo uma tola. Só estava preocupada e, para falar com franqueza, temia não ter permissão para ver Jacob – isso me deixava nervosa.

[…]

Eu ficava em casa tempo demais e sozinha demais. Sem Jacob, e sem minha adrenalina e as distrações, tudo o que eu andara reprimindo começou a se arrastar até mim. Os sonhos voltaram a ficar opressivos. Eu não conseguia mais var o final chegando. Só o nada terrível.

[…]

Jacob estava melhor, mas não tão bem para me ligar. Saiu com amigos. Eu estava sentada em casa, sentindo mais a falta dele a cada hora. Estava solitária, preocupada, entediada… perfurada – e agora também desolada ao perceber que a semana em que ficamos separados não teve o mesmo efeito sobre ele.

[…]

Ou… Eu estava com nosso mapa e a bússola na picape. Tinha certeza de que já entendia bem o processo e não me perderia. Talvez pudesse eliminar duas linhas, avançando em nosso cronograma para quando Jacob decidisse me honrar com sua presença de novo. Recusei-me a pensar em quanto tempo isso levaria. Ou se nunca aconteceria.

[…]

O bosque estava cheio de vida, todas as pequenas criaturas aproveitando o momentâneo tempo seco. De certo modo, porém, mesmo com os passarinhos piando e crocitando, os insetos zumbindo ruidosamente em volta de minha cabeça e a ocasional correria do camundongo silvestre pelos arbustos, o bosque parecia mais assustador; lembrou-me de meu pesadelo mais recente. Sabia que era apenas porque eu estava sozinha, sentindo falta do assovio

despreocupado de Jacob e do som de outro par de pés no chão molhado.

[…]

E então, tão de repente que me desorientou, passei por um arco baixo, formado por dois galhos de bordo – depois de empurrar as samambaias na altura do peito –, e estava na campina.

[…]

bellacampina


Era o mesmo lugar… Mas não guardara o que eu estava procurando.

A decepção foi quase tão imediata quanto o reconhecimento. Desabei onde estava, ajoelhando-me ali na beira da clareira, começando a ofegar. Que sentido tinha ir adiante? Nada ficou aqui. Além das lembranças que eu podia reviver sempre que quisesse, se estivesse disposta suportar a dor correspondente – a dor que me tomava naquele momento, que me deixava fria. Não havia nada de especial naquele lugar sem ele. Não tinha certeza do que esperava sentir ali, mas a campina estava sem atmosfera, desprovida de tudo,

exatamente como qualquer outro lugar. Assim como meus pesadelos.

[…]

– Laurent! – gritei, num prazer surpreso. […]A campina era um lugar mágico de novo. Uma magia mais sombria do que eu esperava, com certeza, mas mesmo assim, era magia. Ali estava a ligação que eu procurava. A prova, embora remota, de que – em algum lugar no mesmo mundo em que eu vivia – ele existira.

[…]

– Eles costumam visitar? –perguntou ele, ainda despreocupado, mas transferiu seu peso na minha direção.

“Minta”, sussurrou ansiosa a bela voz aveludada de minha lembrança.

[…]

– Victoria queria guardar essa parte para ela – continuou ele com tom alegre. – Ela está meio… aborrecida com você, Bella.

– Comigo? – guinchei.

Ele sacudiu a cabeça e riu.

– Eu sei, também me parece meio sem sentido. Mas James era o companheiro dela, e seu Edward o matou.

Mesmo ali, prestes a morrer, o nome dele rasgou minhas feridas abertas como uma lâmina serrilhada.

Laurent não percebeu minha reação.

– Ela achou que era mais adequado matar você do que Edward… Uma reviravolta justa, parceiro por parceiro. Ela me pediu para preparar o terreno, por assim dizer. Eu não imaginava que seria tão fácil chegar a você. Talvez o plano dela tenha falhado… Ao que parece, não será a vingança que ela imaginou, uma vez que você não deve significar muito para ele, se ele a deixou aqui desprotegida.

Outro golpe, outro rasgão em meu peito.

O peso de Laurent mudou de lado, e eu cambaleei outro passo para trás.

Ele franziu o cenho.

– Mesmo assim, imagino que ela vá ficar irritada.

– Então por que não espera por ela? – comentei com a voz engasgada.

Um sorriso cruel refez as feições dele.

– Bem, você  me pegou em um mau momento, Bella. Eu não vim a este lugar em missão por Victoria… Estava caçando.

Estou com muita sede e você tem um cheiro… simplesmente de dar água na boca.

bellaelaurent

[…]

Preparei-me para o ataque, meus olhos se estreitando enquanto eu me encolhia, e o som do rugido furioso de Edward ecoou no fundo de minha cabeça, distante. O nome dele atravessou todos os muros que eu construíra para contê-lo. Edward, Edward, Edward. Eu ia morrer. Não ia importar se eu pensasse nele agora.Edward, eu te amo.

[…]

– Não acredito nisso – disse ele, a voz tão baixa que mal a ouvi.

Então tive de olhar. Meus olhos varreram a campina, procurando pela interrupção que me dava mais alguns segundos de vida. No início não vi nada, e meu olhar voltou a Laurent. Ele recuava mais rápido, os olhos fixos no bosque.

Depois eu vi; uma forma escura e imensa se esgueirou por entre as árvores, silêncios como uma sombra, e se moveu, decidido, na direção do vampiro. Era enorme – alta como um cavalo, porém mais volumosa, muito mais musculosa. O focinho comprido estava arreganhado, revelando uma fila de incisivos que pareciam adagas. Um rosnado horrível saiu por entre os dentes, estrondando pela clareira como um trovão prolongado.

[…]

Olhei para a criatura monstruosa, minha mente atordoada enquanto eu tentava dar um nome a ela. Havia um traço distintamente canino em sua forma, no modo como se movia. Eu só podia pensar em uma possibilidade, travada pelo pavor como estava. E, no entanto, nunca imaginara que um lobo pudesse ser tão grande.

[…]

O lobo mais próximo, o castanho-avermelhado, virou a cabeça devagar ao me ouvir arfar. Seus olhos eram escuros, quase pretos. Ele me fitou por uma fração de segundo, o olhar profundo parecendo inteligente demais para um animal selvagem.

Enquanto aquilo me olhava, de repente pensei em Jacob – de novo com alívio. Pelo menos fui ali sozinha, àquela campina de conto de fadas repleta de monstros sombrios. Pelo menos Jacob não ia morrer também. Pelo menos eu não teria a morte dele em minhas mãos.

Depois, outro rosnado baixo do líder fez o lobo avermelhado girar a cabeça, de volta a Laurent.

Laurent encarava o bando de lobos monstruosos com choque e medo evidentes. O choque eu podia entender. Mas fiquei pasma quando, de repente, ele se virou e desapareceu nas árvores.

Ele fugira.

Os lobos partiram atrás dele num segundo, lançando-se na relva aberta em poucos saltos, enormes, rosnando e rangendo os dentes com tal volume que minhas mãos voaram instintivamente para cobrir os ouvidos. O som cessou com rapidez surpreendente depois que eles sumiram no bosque.

lobos e laurent

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5 Comentários leave one →
  1. 13/11/2009 13:45

    Não sei pq, ela me lembrou a :E (Anna Paquin – Sókie) na primeira foto…

    ai ai as melhores partes do livro estão chegando!! \ooo/

    Laurent e Bella

    rolei rindo com essa foto, dai tive que mostrar pra vcs!!

    :C

  2. Amália permalink
    13/11/2009 13:58

    “O lobo mais próximo, o castanho-avermelhado, virou a cabeça devagar ao me ouvir arfar. Seus olhos eram escuros, quase pretos. Ele me fitou por uma fração de segundo, o olhar profundo parecendo inteligente demais para um animal selvagem.”

    Eu adorei essa parte… Me lembrava dela quando em Eclipse ela “conversava” com ele em forma de lobo.

    Ai ai meu lobinho…

    • 13/11/2009 14:43

      Essa Amalia….
      pegou o trem na central e quer dar tchauzinho da janelinha! ueheueheuheuehuh

      ainda bem que ela quer o Jake!

  3. 16/11/2009 07:54

    Caraca! Essa cena vai ser sinistra!!

  4. gabyee_ permalink
    16/11/2009 09:43

    “O nome dele atravessou todos os muros que eu construíra para contê-lo. Edward, Edward, Edward. Eu ia morrer. Não ia importar se eu pensasse nele agora.Edward, eu te amo.”

    ;~~~~~~~~~~~~
    eu.vou.morrer.dia.20

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